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Cultura
Pensando a Cultura Para que se possa refletir sobre a cultura é preciso identificar o lugar de onde cada grupo fala e, se manifesta, o que não é algo simples, considerando, que por mais completa que a identificação enunciada pretenda ser, ela é sempre apenas uma fração de uma corrente verbal ininterrupta da vida cotidiana, da literatura, do conhecimento ou da política, como nos diz Bakhtin (http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/mikhail-bakhtin-498487.shtml (1988). Este lugar também está, em relação ao tempo, em uma “evolução” contínua, que segue em todas as direções, ou seja, nunca esgotamos um enunciado, ele está vivo, constantemente se ressignificando. No entanto, o olhar para esse “lugar” de enunciação constitui a lente cultural através da qual Sendo um Centro Cultural, cuja origem se dá no folclore alemão, origem de nossa cidade, nosso lugar de pertencimento, isto nos identifica, mas não nos imobiliza. Esse é apenas um ponto de partida. Laraia (http://cpdoc.fgv.br/cientistassociais/roquelaraia) (1986) alerta para o fato de que, por vermos o mundo através de nossa cultura somos propensos a considerar o nosso modo de vida mais correto do que o dos outros, o que pode dar origem às diferentes formas de intolerância. É importante perceber que, mesmo dentro de uma mesma cultura, os indivíduos não participam dela em sua totalidade e, principalmente não a interpretam da mesma forma. Nesse momento, o papel mais importante é compreender a riqueza da alteridade, do olhar o outro e, como sugere Laraia (1886), a cultura é também um processo de aprendizagem e questionamento, o que, pelo menos teoricamente, nos permite aprender com o outro. Partindo-se da enunciação de algo e de que esse enunciado pertence a um lugar dentro de um contexto social e considerando que esses contextos são de conteúdos heterogêneos e que há aprendizagem nesse processo cultural, encontramos Bosi (http://almanaque.folha.uol.com.br/bosi.htm) (2008) que traz a questão do enraizamento. Se a aprendizagem se dá a partir do processo cultural, isto ocorre pela transposição ou tradução do novo, através de padrões anteriores de percepção e estes são indissociáveis do contexto. O novo é interiorizado como uma segunda natureza, o enraizamento cultural assimila esse novo, enredando-o e justificando-o ao que anteriormente já era significativo, adaptando-o às suas práticas. O homem como resultado do meio cultural e o enraizamento cultural se conjugam ao que Hall (http://pt.wikipedia.org/wiki/Stuart_Hall ) (2006) apresenta como sendo o pertencimento a uma determinada cultura, ou seja, a identidade cultural. Hall apresenta o sujeito a partir de diferentes concepções históricas e mostra o sujeito contemporâneo como àquele para quem a linguagem / enunciação tem um alcance cada vez mais amplo e é determinante da fragmentação das identidades; aquele que, como resultado do meio, está sendo permeado por influências globais, deslocando o que antes era visto como identidade unificada e coerente. Aquilo que Bosi (2008) apresenta com o nome de enraizamento, Hall (2006) aborda como pertencimento; a existência de algum contexto significativo anterior a partir do qual as traduções se dão e de onde surgem possibilidades, ou seja, o lugar de pertencimento é aquele no qual o sujeito exercita sua identidade cultural múltipla, já que das inúmeras identidades possíveis, podemos nos identificar com várias delas, pelo menos A compreensão da constituição das identidades coloniais, a influência do colonizador em nós e nossa neles, assim, como em todos os que passaram e ainda passam por esse processo, talvez possa ter sido o primeiro passo para o que hoje se conhece como o processo de globalização, que nos oferece essa multiplicidade de identidades possíveis. (2007) traz as noções de tradição e difusão, a primeira interna ao grupo e a segunda que trata do movimento de “saída” do grupo, desenhando um mapa cultural que amplia as fronteiras geográficas. Essa ampliação de fronteiras tomada por globalização é tema da discussão de Canclini (http:// pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A9stor_Garc%C3%ADa_Canclini) aponta as diferentes nuances das supostas integrações decorrentes da globalização. Hoje vivemos a globalização e mesmo partindo da tradição do folclore, difundimos ora a cultura alemã, já enriquecida pela brasilidade, ora a música de todos os gêneros, híbrida de influências, assim ressignificamos a tradição e a música, abrindo, ao invés de fechar, incluindo, ao invés de excluir e principalmente acolhendo pessoas independentemente de sua origem. No processo cultural, as diferenças não se resolvem, pelo contrário, é Ortiz (Renato Ortiz - ..:: Comunidade Virtual de Antropologia ::..) em si mesma a tensão entre identidade e alteridade, enriquecendo-se Os conceitos que nos amparam ao pensar a cultura, a revelam como um verbo, em contínua conjugação, em processo. Hebe Vetter Cardoso Produtora Cultural Bacharel em Artes Visuais Mestranda em Processos e Manifestações Culturais REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAKHTIN, Mikhail. Língua, fala e enunciação. Interação verbal, in:_. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1988, p.90 -136. BHABHA, Homi K..O Local da Cultura. Belo Horizonte: UFMG, 2007. BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Cia das Letras, 1992. __________. Plural mas não Caótico. In:_. Cultura brasileira. Temas e situações. São Paulo: Ática, 2008, p. 7-14. CANCLINI, Nestor Garcia. Globalizar-se ou defender a identidade: como escapar dessa opção. In:_. A Globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2010. HAAL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1986. ORTIZ, Renato. Mundialização e Cultura. São Paulo: Brasilliense, 2007. SOUZA, Lynn M. T. M. de. Hibridismo e tradução cultural em Bhabha. In:_. ABDALA JR.,Benjamin (Org.). Margens da cultura: mestiçagem, hibridismo e outras misturas. São Paulo: Boitempo, 2004.



